Quando um cidadão procura atendimento de urgência ou emergência em Barbacena, como em hospitais ou na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), é comum imaginar que a ordem de chegada dita quem entrará primeiro no consultório médico. No entanto, para garantir que as vidas em risco iminente sejam salvas com prioridade absoluta, o município adota o Protocolo de Manchester, uma metodologia internacional de classificação de risco que organiza o fluxo com base na gravidade do quadro clínico de cada paciente, e não no horário em que ele retirou a senha.
O processo começa logo após a identificação na recepção e é feita em seguida a triagem. Nesse momento, um profissional capacitado realiza uma avaliação rápida e criteriosa, medindo sinais vitais — como pressão arterial, temperatura, frequência cardíaca e oxigenação no sangue — e ouvindo os sintomas relatados. A partir desses dados clínicos, é gerada uma cor específica para o caso, determinando o grau de urgência e o tempo máximo recomendado para o primeiro atendimento médico.
A escala utiliza cinco cores bem definidas. A cor vermelha indica emergência máxima, aplicada a situações gravíssimas, como paradas cardiorrespiratórias ou traumas severos, em que o socorro precisa ser instantâneo. A cor laranja representa casos muito urgentes, que necessitam de intervenção em até dez minutos, como suspeitas de infarto ou dores no peito intensas. Já a cor amarela sinaliza quadros urgentes, como fraturas fechadas ou febre alta persistente, cujo tempo de espera recomendado é de até uma hora.
Para as situações de menor gravidade, existem as faixas verde e azul. A cor verde é destinada a condições pouco urgentes, como dores leves a moderadas que duram dias ou pequenos ferimentos, com previsão de atendimento em até duas horas. Por fim, a cor azul classifica casos não urgentes, como queixas crônicas, retirada de pontos ou solicitações de receitas, que podem aguardar até quatro horas ou, idealmente, ser acompanhados na Unidade Básica de Saúde (UBS) da área atendida pelo morador, que é o mais indicado neste caso.
É importante destacar que, entre os pacientes classificados com a mesma cor pelo Protocolo de Manchester, também são observadas as prioridades de atendimento garantidas por lei. Assim, quando aplicável, pessoas com direito legal à prioridade, como idosos, gestantes, pessoas com deficiência e outros grupos previstos na legislação, têm essa condição considerada na organização do atendimento, respeitando-se sempre a gravidade clínica e as situações de emergência.
Compreender essa dinâmica ajuda toda a população barbacenense a colaborar com o funcionamento ágil do sistema público de saúde. Enquanto os prontos-socorros concentram esforços nas situações agudas e que trazem risco de morte, os postos de saúde dos bairros são os locais mais adequados para consultas de rotina, prevenção e acompanhamento contínuo de doenças já diagnosticadas. O respeito à classificação por cores assegura que cada pessoa receba o cuidado certo, no tempo certo, com segurança e justiça para todos.









