Nesta segunda-feira, 25 de maio, Barbacena viveu um dos momentos mais marcantes e simbólicos de sua história. Em uma cerimônia carregada de emoção, foi oficializada a desinstitucionalização dos últimos pacientes do antigo Hospital Colônia, encerrando definitivamente um capítulo doloroso da saúde mental no Brasil e abrindo caminho para uma nova era baseada na dignidade humana, na liberdade e no cuidado humanizado.
O evento reuniu gestores, profissionais da saúde, assistidos, familiares e membros da comunidade, muitos dos quais participaram ativamente desse processo de transformação e reconstrução da política de saúde mental no município.
Durante a solenidade, o Secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Fábio Baccheretti, recebeu a Medalha Sobral Pinto — a mais alta honraria concedida pelo município de Barbacena. A homenagem simboliza o reconhecimento por sua importante contribuição para este novo capítulo da história da cidade, marcado pela valorização da vida, pela preservação da memória e pelo compromisso com uma assistência em saúde mental mais humana e inclusiva.
Também foi homenageado com a Medalha de Cidadão Honorário o Diretor-Geral do Complexo Hospitalar de Barbacena, unidade da FHEMIG, Claudinei Emídio Campos, que tem desempenhado papel fundamental na construção de um novo modelo de cuidado. O Secretário Municipal de Saúde, Gustavo Ferreira, também recebeu uma placa de reconhecimento pelos esforços em prol desse importante avanço para a saúde mental no município.
Um dos momentos mais emocionantes da cerimônia foi o descerramento simbólico de uma placa e o fechamento definitivo das portas do antigo Hospital Colônia com a colocação de um cadeado — gesto que representou o encerramento de uma era marcada pelo sofrimento, mas também reafirmou o compromisso coletivo com a construção de uma assistência em saúde mental mais humana, baseada na liberdade, no acolhimento e na defesa dos direitos humanos.
Para acolher os últimos 14 pacientes oriundos do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB), o município estruturou uma residência com um modelo específico de assistência, alinhado ao processo histórico de desinstitucionalização em Barbacena e às diretrizes da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), priorizando o cuidado em liberdade, o acolhimento e a inclusão social. Esse importante passo foi resultado da soma de esforços entre o Estado e o Município, que, juntos, concretizaram o processo de desinstitucionalização dos pacientes do CHPB.
Atualmente, Barbacena conta com Serviços de Residências Terapêuticas (SRT), que acolhem mais de 160 moradores. Inseridas na comunidade, essas residências representam muito mais do que moradia: são espaços de reconstrução de vínculos, autonomia e cidadania para pessoas que viveram longos períodos de internação e perderam o convívio familiar. O objetivo é garantir que cada assistido possa viver plenamente sua cidadania, realizando atividades simples e essenciais do cotidiano, convivendo em sociedade com dignidade e respeito.
‘Hoje, Barbacena vive um momento histórico. O fechamento definitivo das portas do antigo Hospital Colônia simboliza um compromisso coletivo com a liberdade, com a inclusão e com a valorização da vida humana. Barbacena carrega uma história que jamais será esquecida, mas hoje mostramos ao mundo que é possível transformar dor em esperança, memória em aprendizado e cuidado em acolhimento.’ – Pontuou o Prefeito Carlos Du
O encerramento definitivo das internações asilares de longa permanência representa um marco histórico não apenas para Barbacena, mas para todo o país. Mais do que fechar portas, este momento simboliza a abertura de novos caminhos para uma política de saúde mental baseada no cuidado, na inclusão e no respeito à vida humana.
Barbacena escreve, hoje, uma nova página em sua história — uma página marcada pela memória, pela coragem de transformar, pela esperança de um futuro mais humano para todos e pela liberdade, que coloca um ponto final em um dos capítulos mais dolorosos da história da saúde mental no Brasil.









